visitante(s) soprando palavras ao vento




27.9.05

Montanhas
( Para uma amiga minha)


Se eu pudesse te levava
Prá uma montanha bem longe
Daí e daqui:
É que gosto de montanhas,
Sabe, onde de vez em quando chove garoinha fininha.
Mas, se me perguntarem
Se prefiro montanha ou mar,
Direi que, dentre as montanhas,
Prefiro uma montanha à beira do mar
Prá gente poder ficar mais junto
Das estrelas no céu,
Da Lua no céu
E da Lua no Mar.


Poema de: Francisco Maximiano da Silva

Francisco M. Silva soprou estas palavras ao vento às 8:31 AM
 


20.9.05

A Linha divisória
de fases
Ponto e contraponto
Baixo e altos e baixos da vida
O Silêncio
O Som
( Yin
Yang )
Do tambor
que bate do lado esquerdo
Ainda tenho
Descompassado
Incerto
Perdido...
Com libido e sem amor,
Ou talvez com ele.

A linha divisória
A primeira nota de um réquiem
à minh¿alma
A garrafa de vinho tinto
O cálice manchado
Como de sangue vazio
Sobre o piano.

Menina incerta
Mulher valente

Tenho
Uma certa volúpia
Ou
Uma certa inocência (?)

Lembranças
Andanças
Danças
Confidências
Vivências
Desejos...
Vinho!

Corpos remexendo-se
Fazendo sons
gemidos e suados.
Um corpo vazio
Largado
O gole tomado.
A vida tomada
A menina deixada:
Lágrimas calando-se.
O piano largado
Eu santa
Ou
Depravada?:
Maniqueísmo!

A bebedeira
Largada na cadeira
A desilusão
Com uma oração à Santa Não Sei Quem
O livro esquecido
Na cabeceira
O corpo adormecido
( Um riso sarcástico )
Largado
Nú e cansado
Ao lado
E depois
O sonho acabado
... esquecido
O que foi e não é.


O atame da bruxa
O falo ereto
O sentimento correto
A palavra correta
Jamais dita
Ou sempre mentida
O silêncio profundo
A menina incerta
Largada mulher no mundo...

Depois?,
A Flor Murcha
Depois?,
As Adagas no Tambor
do lado esquerdo:

Tum, Tum, Tum... Tum...... Tum......... Tum............
Bate devagar
Devagar.....................................................................................................
Penetra-me
O sono
Devagar

Mansinho

Penso em rezar
À Virgem Maria
?
Mas só penso

Proponho-me sonhos
Adormeço
Como um anjinho de babydoll:
Sonho com O Príncipe ¿
de quando eu era menina pequena.

Ele era bonito.
Tinha bons modos e olhos azuis
Ombros largos e cabelos loiros
Boca rosada
de belo sorriso
Era A ( alegre )
L ( livre )
T ( todos
O (s meus sonhos )
Mas não tanto.

Um som rosa e outro vermelho iam passando
ao fundo:
Ele me amava
Eu sonhava...

Eu dormia.

Poema de: Francine Maria Reis

Francisco M. Silva soprou estas palavras ao vento às 12:32 PM
 


9.9.05

Metáforas Monetárias Impróprias

A minha gerente tem cara de calculadora,
E acha que eu
Tenho cara de cifrão.
Ela tem olhos monetários
, Como as esposas ou namoradas de muita gente,
Com robótica-gélida visão de raios-X para os saldos bancários.

As pernas dela?
Bom..!,
Ela usa minissaia de bom corte.
Não sei com que se parecem as pernas dela;
Talvez dessas canetas arredondadas de se assinar cheques,
Ou duas pilhas de moedas de tamanhos diferentes,
Dando
A impressão de serem mais grossas em cima e finas embaixo

Só que esta minha gerente,
Namorada da grana,
É aquela gerente onírica
- Que para as meninas, bem poderia
Ser um gerente fortão
Desses que têm ombros largos e queixo quadrado como cofre de banco -,
Que
Por não existir,
Existe em todos os bancos.

Poema de: Francisco Maximiano da Silva.

Francisco M. Silva soprou estas palavras ao vento às 9:04 AM
 


8.9.05

DE CERTO há sempre um deserto nos olhos
Dos de almas cheias de vazio
Como a minha.

Há um deserto.

Talvez haja um deserto de verde onde não há areia.
Um deserto alto no alto das copadas das árvores altas,
Ou,
Um deserto baixo, gramíneo, das pradarias
Verdes.
Um deserto.
Um deserto vasto de concreto, aço asfalto e gente:
Deserto de gente deserta onde se está só
Acompanhado dos grãos de gente
E a rajada de vento seco-de-temperamento de gente andando contra você.
Um chato deserto que enche
E é mais real que a ficção do meu eu.

Para que a ciência de desconhecer-se o desconhecido
Que supomos achar?
Para que o trabalho de pensar?:
Pensamentos desertos
Cheios de picuinhas de certo desertas.
( E a minha inexistente existência?
Sei lá eu o que sou;
Coisa sem nexo, como os outros que como eu
Também comem chocolates,
Só que sem pensar em desertos e na metafísica ).

Acho que bebi muito.
Sim,
Beberemos após o trabalho;
Que acham?
E falaremos bobagens maiores que a dos poetas,
Terminadas em sérias gargalhadas
Que banirão para o deserto todos os assuntos sérios:
Conversas desertas que atravessam o deserto estéril
Como o útero da meretriz que não terá filhos da puta.

Sim,
A porrada de pileque.
A inconsciência é um pensamento deserto.

Beberemos juntos a cumprir o sério
Intuito de nos desmascararmos um pouco
Para mostrar a piada que somos:
Grande tranqueira.
Depois........,
Dormiremos feitos aqueles anjos gordinhos e preguiçosos,
Sozinhos ou acompanhados,
Numa cama deserta.

Poema de: Frank Leber. ( ( heterônimo )

*Nota: Frank Leber tem 36 anos é PhD em filosofia num universo psíquico, paralelo ao nosso, graduou-se em Cambridge. É descendente de ingleses, mas nasceu em São Paulo. Passou algum tempo de sua vida num sanatório com o diagnóstico de esquizofrenia. Atualmente é um niilista pessimista que escreve sua visão obscura do mundo e das pessoas.

Francisco M. Silva soprou estas palavras ao vento às 8:51 AM
 
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